segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Discurso do Rei (The king's speech)

Aproveitando o ensejo, aqui vai mais uma crítica de um agora vencedor do Oscar. Eu vi o filme sábado, portanto acho que não estou tão atrasada...:P

O Discurso do Rei é um filme sublime. Bom de todas as formas para todos que gostam de um bom filme, ele ainda causa aquela sensação de satisfação e felicidade quando termina. O Discurso é um filme ganhador de Oscar, de fato. Agrada a todos os públicos, encanta também crianças (e vi muitas na sessão que assisti, assim como adolescentes que se divertiram) e faz os adultos se sentirem mais leve. Ele tem a leveza de um filme despretensioso que por ser tão redondinho e tão agradável de assistir, acabou caindo nas graças do grande público (e críticos de cinema, e votantes do Oscar...).

Pra quem ainda não sabe a história, vamos lá: ele conta a história real (sem trocadilhos!) de George VI, ou o Duque de York, que assumiu o trono em 1936 após seu irmão, rei Eduardo VIII, ter que deixar o mesmo pelo parlamento britânico não aceitar seu comportamento “libertino” e seu casamento com uma norte-americana divorciada (duas vezes, é bom reiterar. Escândalo total :D).

O Príncipe Albert tinha tudo para não ser rei da Inglaterra. Desde jovem, sofria com gagueira e com uma série de doenças estomacais, sendo sempre excluído de eventos com a nobreza. Não tinha aptidão para falar e estar em público, mantendo-se sempre reservado. Além disso, não tinha a personalidade extravagante do seu irmão, que pilotava aviões, viajava pela Europa e era capa de jornais o tempo todo.

O duque (ou príncipe) sofria principalmente de problemas de dicção, que ele adquiriu quando criança, e não conseguia falar em público. Para um filho de estadista, isso é uma coisa séria. Mesmo não prevendo que seria rei um dia, e mesmo que que governasse (no Parlamento britânico o rei não tem poderes maiores do que as câmaras, mas é uma figura simbólica), Albert tinha que saber falar em público, porque muitos ingleses amam sua família real e vêem neles a imagem do Reino. Por esse motivo, Albert era pressionado de todas as formas pelo pai, governantas, professores e a própria esposa, Elizabeth (sim , ela mesmo, a rainha mãe!) a buscar aulas de dicção e médicos que pudessem curar sua gagueira.

Desta forma, o duque de York acaba conhecendo Lionel Logue (com uma interpretação mais uma vez fantástica de Geoffrey Rush), que é um especialista em dicção. Não era médico, não era fonoaudiólogo, mas para a época, convenhamos, a fonoaudiologia ainda era uma especialidade médica, e muitos especialistas em fala não tinham mesmo diploma. Logue era um ator nas horas vagas e especialista em dicção que acabou recebendo Albert de uma maneira um tanto quanto inusitada. O tratava no mesmo tom, não o reconhecia como um nobre dentro de seu consultório e usava de técnicas um tanto quanto ousadas para a época (as cenas dele falando palavrão para impedir a gagueira, por exemplo, são fantásticas).

A relação entre Logue e o príncipe de York dão o tom ao filme, que através de cenas divertidas e também dramáticas, e dos conflitos entre os dois, que muitas vezes acabava em um “tapinha nos ombros” e uma conversa amiga, Albert conseguiu se desvencilhar do seu terror pessoal e avançar na arte da oratória.

O Discurso do Rei é, portanto, um filme que trata de um tema um pouco frívolo de uma certa forma, mas um tanto interessante por outra. Por meio da gagueira do príncipe (e futuro rei do Reino Unido), ele relata a vaidade e os sacrifícios impostos àqueles de sangue azul, em uma época que as coisas não eram tão “light” como hoje (vide o casamento de Middletown com o Príncipe William, uma jovem filha de industrial...uma burguesa!). Assim como o outro lado da nobreza já foi retratado em diversos filmes (como o com nome idem, Maria Antonieta, Ligações Perigosas, A Rainha, e por aí tem vários), o Discurso é imperativo ao avaliar que todo rei, por mais título que tenha, é humano. E assim é Albert, que de príncipe preterido pelo pai se torna rei no momento em que estourava uma guerra que mudou o contexto geopolítico da Europa – e mundial.

O Rei George VI, saiu nos jornais, era simpático aos nazistas, assim como o herdeiro do trono, que visitou a Alemanha hitlerista. Acho que esse argumento para desqualificar o filme é fraco – somente para desqualificar o filme, pois o filme trata da luta de George VI com sua gagueira. Não vou também defender se George Vi era anti-semita ou não, pois não conheço bem sua biografia para afirmar isso. Porém, infelizmente o anti-semitismo era comum na Europa na década de 1930 e muitos países adotaram políticas preconceituosas contra judeus antes da guerra estourar (não me interpretem mal, sou absolutamente contra o anti-semitismo, políticas e ações racistas em qualquer sentido e também acho que Hitler foi um assassino de massa, ok? Estou só fazendo uma avaliação de porque acho que desqualificar o filme pelo fato de se ter indícios de que George VI era racista não é um argumento forte. E de fato o filme não foi desqualificado por isso, pois ganhou o Oscar principal, dado pela Academia que tem uma boa parte de seus integrantes de origem judia).

Voltando ao filme, O Discurso tem, por conseqüência, uma temática que traz à tona questões muito sérias e conscientes da relação entre o povo e seu governante e também do peso que a exposição traz às pessoas.

Sobre o filme, ainda, que arrebatou três oscars, incluindo direção (Tom Hooper) e ator (Colin Firth, o eterno e impecável Mr. Darcy) e roteiro original, para David Seidler, acho que Rush merecia o Oscar de coadjuvante. Porém, não vi a atuação de Christian Bale, o favorito da noite. Reparei muito na estética azulada do filme, bem condizente com a foggy britânica, e também na fotografia fantástica do consultório de Logue.

O Discurso do Rei é um filme, como eu disse, sublime. E posso garantir que não tem quem não goste.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Inverno da alma (Winter's bone)


Inverno da Alma é um dos filmes concorrentes ao Oscar, que você vê que faz parte daquele seleto grupo de películas que são independentes, mas fazem um contrapeso à falta de filmes com roteiros fortes e atuações idem no Oscar.Pois é, a premiação já foi uma referência para o cinema, mas hoje em dia parece que a crise no cinema americano está abrindo espaço para os festivais independentes, como o Sundance, e às premiações europeias, como Cannes e Berlim.

A história de Inverno da Alma é impactante, e aquilo que mais chama atenção logo de início é a caracterização da vida e do local onde moram a personagem principal e sua família, Ree Dolly (Jennifer Lawrence, jovem atriz e já indicada ao Oscar e outros inúmeros prêmios). Ree, seus dois irmãos pequenos e sua mãe que sofre de uma doença mental vivem nas montanhas Ozark, no Missouri, em uma região muito, muito pobre, muito, muito fria e esquecida no meio-oeste americano. Com o pai na prisão por tráfico, eles vivem comendo esquilos e veados de caça, sem eletricidade, e têm apenas as montanhas e sua madeira para salvá-los do frio. Jennifer Lawrence se despe de qualquer vaidade para fazer o suspense, que retrata ela, e somente ela, na busca de seu pai para não perder a casa onde vivem - e a única forma se sobrevivência que conhece.

O problema é que Jessup Dolly, pai da menina, some após sair da prisão e coloca sua casa e o terreno nas montanhas como fiança. Se ele não comparecer ao tribunal, ele perde tudo e por isso Ree busca desesperadamente pelo pai na cidade, passando por personagens medonhos (no sentido literal!) e tristes do universo em que circula. Traficantes, mulheres de traficantes, avôs, primos e tios que a espancam ou a ignoram por ser filha de quem é e perguntar demais. Essa é a rotina de Ree, que persiste, como uma boa heroína, na sua luta para salvar sua casa e seus irmãos.

Baseado numa série de livros que não chegou ao Brasil, Inverno da Alma é mais um dos oito livros de suspense escrito por Daniel Woodrell, em um estilo que - nem sabia - é caracterizado por "country noir", inaugurado aparentemente pelo próprio Woodrell. Me espantei em saber que o filme é baseado em um thriller, porque não parece. O que parece é que, pelo menos nas mãos da roteirista e diretora Debra Granik, ele se transforma no retrato de um região desconhecida e de uma "América" pouco vista fora do país. Bom, não é preciso dizer que os Estados Unidos são um país com um índice de pobreza não tão grande como o Brasil, mas considerável comparado a regiões mais desenvolvidas, e ninguém parece reparar muito nisso, pois estamos acostumados a ver uma "América dourada" em filme Hollywoodianos. Porém, volta e meia é lançado no cenário independente um filme desses, como foi Preciosa, em 2009, que acaba arrebatando prêmios e consagração da crítica.

Não é preciso dizer também que a atuação de Jennifer Lawrence faz toda a diferença. E que, para a idade dela, é realmente interessante o papel que ela escolheu interpretar. Inverno da Alma é sim um drama violento, é sim meio noir, mas o que o difere dos outros é também a delicadeza na forma que Granik mostra o cotidiano desta família. Chega uma certa hora que você não consegue nem mais sentir pena da menina, mas a vê como um mártir na história toda. Há destaque também para John Hawkes, que interpreta Teardrop, o tio dela e irmão de Jessup, e a forma como a relação deles muda com o passar do filme, de tio desalmado para defensor dos sobrinhos. É claro que isso tudo de forma bem discreta, pois o filme não tem atuações com muitas lágrimas. Ele é duro, como o inverno da região de Ozark (parece esquisito falar em delicadeza e dureza, mas o filme passa essas duas características, claro que nas mãos de uma boa direção).

Para quem gosta de ver filmes independentes e com uma temática mais inovadora, Inverno da Alma é uma boa opção. Mas quem não gosta de ver uma história baseada em personagens duros e sofridos, e que não tenha muito "estômago" para cenas fortes, não recomendo. Vai estar perdendo, é claro, um ótimo filme. E eu estou torcendo, mais uma vez, pelo cinema independente no Oscar.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Férias frustradas de verão (Adventureland)



Taí um filme que eu não dava nada e achei interessante. Produção independente, baixo orçamento e um roteiro basicamente que fala de descobertas. Meio dramático, meio engraçado, meio filosófico...enfim, Adventureland definitivamente não é uma comédia. E o nome em português, como sempre, é péssimo.

Adventureland (novamente usando o nome do filme no original...) é meio que um A Primeira Noite de um Homem recontado. James, o protagonista, interpretado por Jesse Eisenberg (sim, o Mark Zuckerberg da Rede Social), é um recém-formado que volta a morar no subúrbio com a família devido à falta de grana dos pais em mantê-lo em Nova York estudando (crise econômica em 1987 - o filme se passa neste ano). É claro que os dois filmes partem de premissas diferentes. Em A Primeira noite..., Ben (Dustin Hoffman) decide voltar a morar com os pais no subúrbio para dar um tempo e pensar nos rumos que a vida está tomando, antes de iniciar sua carreira tão planejada. James deseja desesperadamente fazer o contrário de Ben, planeja todo o seu futuro, mas fica "preso" aos pais e à vida pacata. Mas no final das contas, os dois filmes acabam se parecendo: os dois protagonistas vivem um momento de escolhas e repensam aquilo que eles querem - e isso fica claro com o decorrer do filme.

Voltado a Adventureland: James é virgem, espera a mulher perfeita e encontra a menina perfeita trabalhando em um lugar que detesta durante o verão, o parque de diversões da cidade. A garota perfeita, Emily, é interpretada por Kristen Stewart (sim, a menina de Crepúsculo), que aliás, já percebi que não muda muito a atuação em nenhum filme. Parece a Bella Swam. Mas nos anos 1980. Só que a menina se envolve com um cara mais velho e casado (Ryan Reynolds, em uma singela participação especial). Enquanto isso, James volta às antigas amizades e começa a repensar as escolhas que queria fazer da vida e as alternativas que a vida lhe ofereceu.

O destaque de Adventureland está no elenco de apoio e no próprio ator principal, Jesse Eisenberg, que realmente já mostrou nesse filme que tinha talento. Não é a toa, ele dá um show na Rede Social. Com algumas pitadas de humor negro (principalmente na parte em que aparecem os donos do parque de diversão, personagens beeem esquisitos - e divertidos), o filme não tem nada de férias frustradas. O que seriam as férias frustradas se transforma em uma descoberta daquilo que realmente é importante para o personagem principal: o amor. Não vou contar o final, mas quem viu A primeira noite de um homem pode imaginar.

A direção e o roteiro ficaram a cargo de Greg Motolla, diretor de Superbad. Achei a direção boa, mas gostei principalmente do roteiro. A partir de uma simples premissa, em uma simples cidade, em um simples subúrbio, ele cria personagens interessantes e um filme que geralmente eu nem me interessaria em alugar se tornou um filme que eu me interessaria em ver de novo. Me lembrou um pouco também Garden State (Hora de voltar, em português), com Zach Braff e Natalie Portman. Quem não viu, taí uma boa dica. Trilha sonora excelente.

Palavra final sobre Adventureland: recomendo. E acho que vou rever A Primeira Noite de um Homem, filme que você vê e revê e continua sendo interessante (e que eu tenho em dvd, o que facilita as coisas). Pode deixar que depois eu posto a crítica ;)




sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

65 red roses



Este documentário mexeu muito comigo. Estava ontem de noite preocupada com amigos que moram em Friburgo e estão isolados por causa da tragédia das chuvas e muito triste com a situação toda, e na tv a cabo estava passando 65 red roses. Um filme sobre uma menina de vinte e poucos anos que sofria de uma doença rara , fibrose cística, e lutava para sobreviver - mas vivia intensamente cada segundo.

Pensei duas vezes, pois estava triste com a situação toda, e achei o filme triste também, mas...resolvi assistir. E me deparei com um documentário sutil que na verdade, fala sobre a arte de viver. E belo, pois mostra que mesmo na adversidade, o ser humano encontra razões para rir novamente.

Eva Markvoot, uma canadense que nas filmagens tinha 23 anos , esperava por um transplante de pulmão para poder ser livre como sempre quis. Viveu em hospitais a vida toda, respirava com dificuldade, mas mesmo assim, via em tudo e em todos pequenas alegrias para poder continuar. Ela fez um blog, chamado 65 red roses justamente porque quando criança, não conseguia pronunciar o nome da sua doença (cystic fibrosis = 65 red roses). A sua luta contra a doença se tornou uma ode à vida.

Pode parecer que o filme é mais uma tragédia, um drama destes bem clichês que fazem você chorar sem parar. Mas não é. Na verdade, o que 65 red roses faz é mostrar que o ser humano, em qualquer adversidade, encontra forças para viver - e amar. Eva amava profundamente, e sua vida foi marcada pela luta para continuar amando. Ela era jovem, queria viver e experimentar tudo o que a vida podia oferecer.

Esperando na fila de transplante, Eva conheceu duas jovens, norte-americanas, com a sua idade aproximada, que também sofriam da mesma doença. Uma tinha recebido um pulmão e estava se recuperando. A outra não havia recebido, vivia sozinha e lutava contra as drogas. As três se comunicavam pela internet e trocavam experiências. Eva recebeu o transplante de pulmão em 2007, durante a filmagem de 65 red roses. E conseguiu, depois de muitos anos, fazer algo simples, mas que sempre quis: respirar fundo. E também algo difícil, que achava nunca conseguir fazer: praticar canoagem. A vida dela, postada no blog que se tornou conhecido no mundo todo, se tornou um exemplo para jovens que sofrem da mesma doença ou de doenças que impossibilitem uma vida comum. E seu blog se tornou, de fato, uma celebração da vida.

Vendo este filme e pensando nas tragédias que ocorrem agora no Rio de Janeiro, fico imaginando, afinal de que vale você pensar tanto na morte, se ela é algo tão eminente e não escolhemos a hora? E aquilo que realmente fica para a humanidade é o que você fez de bem durante a vida. Eva fez o bem - ela viveu, até o último segundo, na esperança de viver cada vez mais e ser feliz - espalhando essa felicidade por todos que a conheceram, pessoalmente ou por meio de seu blog. Sei que meus pensamentos estão meio confusos no momento, mas esse filme me fez respirar um pouco mais leve - e ter um pouco mais de esperança.

***

Eva Markvoot faleceu em março de 2010 com 25 anos, por rejeição ao órgão que recebeu. O documentário não mostra essa fase, pois foi finalizado em 2008. Seu site hoje é ainda atualizado e sua vida é um exemplo reconhecido de luta contra a rara doença que a padeceu. Quem quiser acessá-lo e conhecer melhor Eva:


Termino com uma frase de Machado de Assis, que sabiamente disse: "a arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal". Eva o fez.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Rindo à toa (Laughing at loud)

Estou emocionada! Três posts seguidos assim, algo inédito :) inspiração total no momento. Ou, estando de férias (ou "meia-férias", já que pós não dá descanso), estou tendo mais tempo de selecionar e assistir filmes bons. Mas faço esta crítica com muito prazer. Primeiro porque o filme que vi é bom demais. Segundo porque fiz há poucos dias uma crítica de um filme francês sobre adolescência, bobo, mas divertido, e de repente pego este filme pra assistir e "bum": aquilo que eu esperava do outro está nesse filme.

Divertido, sim, mas LOL (como no original) é um filme também francês que também discute questões sobre adolescência de uma forma muito mais realista e interessante que 15 anos e meio. Terceiro, senti uma saudade enorme dos tempos em que ia nos festivais do Rio e assistia filmes de circuito alternativo no cinema da UFF...preciso voltar a frequentar festivais, uma coisa que amo. Se ainda frequentasse, teria visto esse filme há muito mais tempo.Mas vamos à crítica.

LOL conta a história de adolescentes experimentando as coisas novas da vida: fumar, beber, namorar, fazer sexo, amar...tudo isso é novidade para o grupo de amigos que estuda no Liceu público francês. Lola é uma menina com seus...16 anos? E seu grupo de amigos vive, é claro, na internet, nas baladas, e só quer saber de aproveitar a vida. Mas...você pode culpá-los?

A vida dos adolescentes já é conturbada, e a descoberta de tantas coisas novas é uma coisa sensacional - quem já passou por essa fase sabe do que estou falando. Não acho o filme despretensioso: acho que o filme toca em pontos fundamentais: a relação de Lola com a mãe e o pai divorciado, com seu "caso/ficante" , Mael, a relação do próprio Mael com seu pai controlador, e os problemas de suas amigas, como Charlotte, que está descobrindo os prazeres do sexo, são exemplos disso. Tudo isso ligado às novas formas de comunicação (msn, twitter, facebook, i-phone) faz essa geração aprender de tudo um pouco e experimentar de tudo um pouco.

De novo parece que sou muito velha :P mas isso acontece porque acho as tecnologias de comunicação hoje fantásticas e as redes sociais possibilitam coisas que eu nem imaginava na minha época (celular na minha adolescência era um trambolho que só ricaço da Barra tinha. E não, não sou tão velha assim, apenas vinte e nove aninhos ;)). É claro que os pais dos adolescentes retratados não têm ideia do que eles fazem - e também não dominam todos esses meios de comunicação.

Lola, porém, apesar de todos os seus conflitos internos e problemas com a mãe, é uma menina descolada e responsável. Quem está esperando ver no filme cenas de brigas dantescas, uso de drogas e bebedeira, esqueça, a personagem-título não é bagaceira. Ela é uma adolescente parisiense comum e seus amigos também são adolescente comuns.

Mais ligado ao drama, este filme tem pitadas de comédia, mas no final, o que fica mesmo é um gostinho saudosista e feliz. Com Sophie Marceau no papel da mãe de Lola, o filme fez o maior sucesso na França na época do lançamento (em 2008...como é que eu não o vi antes?) e segue a linha de As melhores coisas do mundo. Filme bonito, interessante e legal de se ver - e com uma trilha sonora muuito boa (incluindo Blur!! Eu tinha que gostar, né?)

Assistam. Filmaço.




sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

15 anos e meio (15 ans et demi)


O filme 15 anos e meio é uma comédia com ritmo ágil sobre a relação entre um pai ausente e uma filha adolescente, que voltam a dividir o mesmo teto depois de anos separados. Filme francês, porém com uma estética americana, 15 anos e meio não faz feio às comédias adolescentes presentes no cinema Hollywoodiano, porém não cria nada de novo.

Phillipe, um bioquímico radicado em Boston há quinze anos, decide voltar a Paris para realizar pesquisas e morar com a filha enquanto a mãe de sua filha, Églantine, viaja a trabalho. Églantine, a jovem em questão, é uma adolescente que vive sem regras, em uma casa mais que simpática em um bairro nobre em Paris. Como todos os jovens de classe média da sua idade (nossa, me senti uma velha agora! “Os jovens”...:P), Églantine tem um grupo de melhores amigas e amigos. Na escola, ela não vai mal. Descolada, divertida, inteligente e fofa, Églantine é uma adolescente legal.

Diferente dos filmes norte-americanos do gênero, onde os adolescentes populares e não populares se estapeiam na escola e brigam até os não-populares se darem bem no final, na escola de Églantine a realidade é um pouco diferente. Todos (ou quase todos) convivem bem – tirando a pequena rixa que ela tem com a namorada da paixonite de Églantine, o galã do colégio (sim, também existem “cheerleaders” e “jogadores de futebol” nas escolas parisienses).

O foco do filme está na relação de Églantine, interpretada por Juliette Lambolay, e Phillipe, interpretado por Daniel Auteil, que ainda trata a filha como se fosse criança e não consegue se adaptar ao cotidiano dos adolescentes – usar twitter, MSN, facebook e outros recursos de celular é coisa demais para a cabeça do bioquímico. Com a ajuda de um amigo que dá cursos para pais com filhos adolescentes problemáticos, Phillipe começa a entrar no universo da filha, tentando compreendê-la melhor (algumas das cenas mais engraçadas do filme, diga-se de passagem, são do “curso” que o amigo dá, ensinando gírias e palavreados de MSN. Ótimo).

15 anos e meio tem um nome bastante apropriado: ele é uma comédia para adolescentes – e para pais de adolescentes – verem e se divertirem. Ele é aplicável também para qualquer realidade de classe média: adolescentes querem se divertir, sair, namorar, beber e experimentar outras “cositas ” nessa fase. O filme, porém tem algumas falhar perceptíveis logo no início: erros de continuidade, personagens sem sentido e sem “fechamento” e cenas cortadas que deixam a desejar – parece que o filme foi editado às pressas.

Não creio que foi essa a intenção dos diretores, creio que eles queriam criar uma linguagem mais ágil para o filme, que se identificasse com os adolescentes, mas a percepção que tive é que os diretores tiveram pouco tempo para terminá-lo e daí os erros de filmagem. Pode ser que tenha tido esta percepção porque também não sou mais adolescente. Vai saber? :D

As cenas de Daniel Auteil contracenando com um Einstein imaginário, porém, são ótimas. Juliette Lambolay também está muito bem no papel e é um dos destaques de 15 anos e meio. Suas cenas com Auteil são boas, e isso é difícil de conseguir na idade dela (17 anos quando fez o filme).

De confusões na escola, festa de arromba na sua casa e saídas com meninos, Églantine amadurece e se torna uma adolescente bastante simpática. Ou seja, o filme passa duas mensagens, no meu ponto de vista: “adolescentes são complexos e difíceis, mas é possível compreendê-los” e “pais não compreendem os adolescentes, mas isso é normal, o importante é o diálogo”.

Morais bonitas e um final previsível. Porém, para assistir de forma despretensiosa numa tarde em casa, comendo pipoca, não há problema nenhum. Só não espere muito além disso.

PS: diferenças à parte, quem estiver a fim de ver um excelente filme sobre a adolescência e seus conflitos veja As melhores coisas do mundo, de Laís Bodanzki. Se estiverem a fim também, leiam a crítica que fiz do filme: http://femovieblog.blogspot.com/2010/05/as-melhores-coisas-do-mundo.html

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sempre ao seu lado (Hachiko: a dog's tale)



Voltando ao blog em 2011 a todo vapor. Muita coisa para fazer! O lance é não desistir e ir até o final. E é claro que eu não ia esquecer do meu blog querido. Sem mais desculpas em relação ao tempo, vamos lá.

Hachiko ou Hachi(prefiro o nome em inglês ou em japonês) é um filme triste. Triste e bonito. Não estou querendo dizer para todo mundo desistir de alugar, porque não é esse o objetivo. Estou dizendo: vejam sim, e se emocionem. Eu chorei pra caramba. E olha que eu não sou de chorar em filme com animais, ou dramas rocambolescos. Mas Hachi trata de dois assuntos muito importantes na vida de todos: amor e lealdade. Para ilustrar o meu ponto de vista, vou recorrer a uma frase de um humorista americano que pouco se conhece - pelo menos na internet - mas que disse: " a dog is the only thing on earth that loves you more than he loves himself" (um cachorro é a única coisa no mundo que ama mais você do que a ele mesmo). Isso se traduz em Hachi : o amor do cachorro pelo seu dono é maior do que qualquer outra coisa e que todas as adversidades.

A história de Hachi é baseada em um episódio, conhecido e contado no Japão até hoje, de um cachorro da raça Akito que se torna tão companheiro de seu dono que o espera na plataforma do trem todos os dias, no mesmo horário. Hachi é um cão diferente dos outros; ele não corre atrás de bolas, não brinca com crianças, não se apega à família que o cria, ele é leal ao seu dono e faz de tudo por ele.

A história começa em uma fria plataforma de trem em uma pequena e fictícia cidade norte-americana. Hachi, filhote e acoado, perdido no lugar, procura por alguém que o ajude e escolhe o Professor Wilson (Richard Gere), que está voltando do trabalho. A partir daí, Hachi o elege como seu grande amigo e não o larga nunca. Nos dias mais gelados de inverno, ele acompanha Wilson até a plataforma quando ele vai trabalhar e na volta, espera seu dono fielmente e pontualmente em frente à estação de trem.

Hachi, mais que tudo, é um filme que mostra uma relação de amizade que se estabelece entre o animal e seu dono; algo que como Josh Billings tenta explicar, é irracional e racional. Racional porque Wilson acolhe o cachorro em momentos de perigo, o trata como um membro da família, cuida dele em todos os sentidos, então a retribuição do carinho do animal é natural. Porém, é irracional porque o cachorro o ama incondicionalmente - e o espera durante nove anos em uma plataforma de trem, sempre no horário de chegada e saída do seu dono ao trabalho.

Não fiquem furiosos, eu não contarei o final do filme; ele é baseado em uma história verdadeira que só virou filme devido à lealdade do cão de ir todos os dias esperar seu dono na plataforma. Incondicionalmente, o cachorro era leal ao dono e o amava profundamente. Virou notícia de jornal no Japão, na década de 1920 - não, o filme não é baseado em uma história real norte-americana. E é claro, a participação de Gere na filmagem como o dono de Hachiko era mais que certa, sabemos que ele tem uma relação profunda com o oriente e com a religião budista (acho que é o ator ocidental que mais fez filmes no Japão e na China. Um mercado difícil de se inserir).

Baseado em uma história verídica e com direção de Lasse Hallstrom, diretor sueco mais conhecido por Regras da Vida e Chocolate (apesar de eu amar Gilbert Grape, cuja direção é dele também) e sua direção minimalista, o filme conta ainda com uma atuação contida e impecável de Joan Allen (vejam A Vida em Preto e Branco - filme excelente com uma atuação idem dela), conta ainda com a participação do sempre bom também Jason Alexander (o eterno George Constanza de Seinfeld) e de Erick Avari, ator indiano famoso em Hollywood.

A conclusão que tiro é que o filme é bonito pra caramba. Não somente pela fotografia, que é excelente, nem pelos cachorros que interpretam Hachiko filhote e na vida adulta, que roubam a cena (são tão fofos que dá vontade de dormir agarrada com eles), mas pela mensagem que ele passa, de que realmente existem amores que duram a vida toda - e que a lealdade de um cão ao seu dono é algo tão bonito que não é à toa que eles são considerados o melhor amigo do homem. Não se acanhe em chorar, porque chorar, vendo este filme, faz bem à alma.