
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
65 red roses

sábado, 8 de janeiro de 2011
Rindo à toa (Laughing at loud)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
15 anos e meio (15 ans et demi)

O filme 15 anos e meio é uma comédia com ritmo ágil sobre a relação entre um pai ausente e uma filha adolescente, que voltam a dividir o mesmo teto depois de anos separados. Filme francês, porém com uma estética americana, 15 anos e meio não faz feio às comédias adolescentes presentes no cinema Hollywoodiano, porém não cria nada de novo.
Phillipe, um bioquímico radicado em Boston há quinze anos, decide voltar a Paris para realizar pesquisas e morar com a filha enquanto a mãe de sua filha, Églantine, viaja a trabalho. Églantine, a jovem em questão, é uma adolescente que vive sem regras, em uma casa mais que simpática em um bairro nobre em Paris. Como todos os jovens de classe média da sua idade (nossa, me senti uma velha agora! “Os jovens”...:P), Églantine tem um grupo de melhores amigas e amigos. Na escola, ela não vai mal. Descolada, divertida, inteligente e fofa, Églantine é uma adolescente legal.
Diferente dos filmes norte-americanos do gênero, onde os adolescentes populares e não populares se estapeiam na escola e brigam até os não-populares se darem bem no final, na escola de Églantine a realidade é um pouco diferente. Todos (ou quase todos) convivem bem – tirando a pequena rixa que ela tem com a namorada da paixonite de Églantine, o galã do colégio (sim, também existem “cheerleaders” e “jogadores de futebol” nas escolas parisienses).
O foco do filme está na relação de Églantine, interpretada por Juliette Lambolay, e Phillipe, interpretado por Daniel Auteil, que ainda trata a filha como se fosse criança e não consegue se adaptar ao cotidiano dos adolescentes – usar twitter, MSN, facebook e outros recursos de celular é coisa demais para a cabeça do bioquímico. Com a ajuda de um amigo que dá cursos para pais com filhos adolescentes problemáticos, Phillipe começa a entrar no universo da filha, tentando compreendê-la melhor (algumas das cenas mais engraçadas do filme, diga-se de passagem, são do “curso” que o amigo dá, ensinando gírias e palavreados de MSN. Ótimo).
15 anos e meio tem um nome bastante apropriado: ele é uma comédia para adolescentes – e para pais de adolescentes – verem e se divertirem. Ele é aplicável também para qualquer realidade de classe média: adolescentes querem se divertir, sair, namorar, beber e experimentar outras “cositas ” nessa fase. O filme, porém tem algumas falhar perceptíveis logo no início: erros de continuidade, personagens sem sentido e sem “fechamento” e cenas cortadas que deixam a desejar – parece que o filme foi editado às pressas.
Não creio que foi essa a intenção dos diretores, creio que eles queriam criar uma linguagem mais ágil para o filme, que se identificasse com os adolescentes, mas a percepção que tive é que os diretores tiveram pouco tempo para terminá-lo e daí os erros de filmagem. Pode ser que tenha tido esta percepção porque também não sou mais adolescente. Vai saber? :D
As cenas de Daniel Auteil contracenando com um Einstein imaginário, porém, são ótimas. Juliette Lambolay também está muito bem no papel e é um dos destaques de 15 anos e meio. Suas cenas com Auteil são boas, e isso é difícil de conseguir na idade dela (17 anos quando fez o filme).
De confusões na escola, festa de arromba na sua casa e saídas com meninos, Églantine amadurece e se torna uma adolescente bastante simpática. Ou seja, o filme passa duas mensagens, no meu ponto de vista: “adolescentes são complexos e difíceis, mas é possível compreendê-los” e “pais não compreendem os adolescentes, mas isso é normal, o importante é o diálogo”.
Morais bonitas e um final previsível. Porém, para assistir de forma despretensiosa numa tarde em casa, comendo pipoca, não há problema nenhum. Só não espere muito além disso.
PS: diferenças à parte, quem estiver a fim de ver um excelente filme sobre a adolescência e seus conflitos veja As melhores coisas do mundo, de Laís Bodanzki. Se estiverem a fim também, leiam a crítica que fiz do filme: http://femovieblog.blogspot.com/2010/05/as-melhores-coisas-do-mundo.html
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Sempre ao seu lado (Hachiko: a dog's tale)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Destinos Cruzados (London River)

Destinos Cruzados é um filme que retrata um ataque que ocorreu em Londres em 2005. Os ataques coordenados a ônibus, estações de trem e metrô deixaram cinquenta e quatro mortos na cidade e levaram a população ao pânico. Fazendo um pequeno paralelo à nossa realidade, no Rio, infelizmente a situação de medo não é tão diferente. Motivos totalmente diferentes, mas medo e pânico igual. Em tempos de guerra, são os civis que sofrem.
O filme conta a história do sofrimento de dois pais que procuram seus filhos após os atentados de 2005 em Londres. Mostra a angústia deles de não os encontrarem, a busca desesperada por notícias e o mais importante, a sua união, sendo pessoas totalmente diferentes, em uma causa comum. Elisabeth Sommers e Ali Ousmane, interpretados por Brenda Blethyn (uma das atrizes mais sensacionais da Inglaterra, que fez O Barato de Grace, Orgulho e Preconceito, Little Voice, entre outros), e Sotigui Kouyaté (ator premiado de teatro francês e malinense, que faleceu em abril desse ano), interpretam os pais de Jane e Ali, que se unem na busca dos filhos, apesar de todas as diferenças existentes entre eles.
O filme retrata uma "cidade partida". Elisabeth, uma britânica protestante, mora no interior e trabalho como agricultora. Seu marido era um ex-soldado morto da Guerra das Malvinas e sua filha uma jovem de 24 anos que estudava em universidade em Londres. Já Ousmane, é um malinense que mora há mais de vinte anos na França, tem um filho que mal conheceu e é muçulmano. Na busca para encontrar sua filha, Elisabeth descobre que além dela morar em um bairro muçulmano em Londres, o que lhe causa estranhamento e horror, ela teria uma relação com o jovem Ali, coisa que desconhecia totalmente.
Já Ousmane tenta buscar seu filho em uma tentativa de assumir uma responsabilidade que tinha deixado há anos, a pedido de sua ex-esposa e por própria culpa. Nesta busca, os dois se encontram; na polícia, no necrotério, no bairro muçulmano. Ao descobrirem que os filhos tinham uma relação, isso desencadeia uma atitude em Elisabeth de negação. Ela não consegue acreditar que sua filha estudava árabe, namorava um muçulmano e vivia em um bairro de imigrantes. Ela se nega a falar com Ousmane repetidas vezes e até o acusa de estar envolvido em um sequestro da filha. Após algum tempo, sua atitude muda. Ela vê que Ousmane está na mesma situação, apesar dos pesares, e acaba cedendo e reconhecendo o pai que também procura o filho.
Destinos Cruzados é um filme forte, intenso, e analisa a relação humana de uma forma profunda. Diferenças raciais, religiosas, tudo isso é deixado de lado em prol de uma causa comum. O preconceito também faz parte da temática. Na tentativa desesperada de entender a filha que ela mal conhecia, Elisabeth renega Ousmane e todas as evidências de que sua filha nada tinha contra o jovem muçulmano e a cultura árabe - algo que Elisabeth jamais esperaria da filha - talvez por não conhecê-la. Ela começa a reconhecer que não vive em uma redoma e que a vida de diferentes pessoas de diferentes origens também cruza o seu caminho.
O filme tem direção do diretor franco-algeriano Rachib Bouchebad, que dirigiu filmes que retratam a situação de imigrantes e os choques culturais e preconceito no país em que vive - uma questão também muito presente na sociedade francesa e polêmica, devido a uma série de medidas tomadas pelo governo francês atualmente em relação aos imigrantes.
Destinos Cruzados é um filme sensacional. Porém, é um filme, já dito acima, intenso. Intenso porque nos faz pensar, nos faz refletir e rever nossos próprios preconceitos. Será que no mundo de hoje tomado pela paranoia, pelo preconceito, você não faria o mesmo?
domingo, 21 de novembro de 2010
À moda da Casa (Fuera de Carta)

Nada melhor que alugar alguns filmes para passar o tempo, principalmente quando você está gripada e sem vontade nenhuma de sair. Neste fim de semana, foram dois: Coco antes de Chanel (a crítica vem adiante) e o despretensioso filme espanhol chamado Fuera de Carta, ou em português, À Moda da Casa, de 2008.
O filme nos leva à Madrid e ao restaurante Xantarella, onde Maxi (Javier Cámara), chef da casa, o comanda com braço forte, com o objetivo de ganhar a tão sonhada estrela Michelin dos restaurantes europeus. Maxi é a personagem principal e o guia do filme. Por volta dele se desenvolvem histórias parelelas que nos levam ao ponto principal que é a questão da sexualidade da personagem e sua relação com o passado e o presente. Maxi foi casado, tem dois filhos mas abandonou a família quando assumiu sua homossexualidade, renegando seu passado "obscuro". Por isto, esconde sua família e seu passado. Já seu vizinho, o ex-jogador de futebol Horácio (o chileno Benjamin Vicuña), não revela sua homossexualidade por medo também das críticas da sociedade e dirige uma escola de futebol, criando uma fachada de jogador de futebol com várias namoradas comum hoje em dia.
No filme, as duas personagens funcionam de forma inversa: Maxi é homossexual declarado mas tem vergonha de demonstrar seu passado "tradicional", seu casamento e seus filhos e carrega bem a imagem do chef de cozinha estourado e gay. Já Horácio não consegue se declarar como Maxi, e tenta sair com mulheres para manter uma imagem diferente da sua preferência sexual.
O momento em que as duas personagens se cruzam é o momento de mudanças na vida dos dois. Horácio se muda para o apartamento ao lado de Maxi e eles começam a sair e a amiga e maitre de Maxi, Alex (Lola Dueñas) se interessa também pelo jogador, o que gera algumas situações "pastelão" na trama. Ao mesmo tempo em que a vida amorosa de Maxi, que é um workaholic, começa a mudar, ele é incumbido de criar seus filhos após sua ex-esposa falecer de câncer. Alba é uma menina de sete anos e Edu um menino de quinze, e apesar de Maxi tentar desenvolver seu lado paternal, ele tem que encarar os problemas de aceitação do filho, que o enxerga como o homem egoísta que o abandonou na infância.
Com estas histórias e personagens parelelos, a comédia se desenvolve de forma leve mas em torno de uma questão importante, que é a categorização das relações na sociedade. Da mesma forma que o preconceito em relação ao homossexualismo é forte, as pessoas se divertem com o estereótipo afeminado presente hoje em basicamente todas as novelas que mostram personagens homossexuais. Por outro lado, o filme mostra duas personagens gays que são complexas, não colocando-as no "mesmo saco" presente na mídia hoje. Um jogador de futebol, discreto, sério, masculinizado, e um chef de cozinha workaholic, pai de dois filhos e homossexual assumido. Maxi, na verdade, aprende na história a lidar com dois mundos que parecem muito distantes, mas não são.
O destaque de Fuera de Carta é sem dúvida o ator Javier Cámara, que interpreta o chef de cozinha. De forma ágil e delineando bem sua personagem, ele consegue retratar perfeitamente a personagem e carrega outros atores juntos, como o próprio Benjamin Vicuña. Os atores que fazem "escada" para sua personagem, Lola Dueñas e Fernanda Tejero (Ramiro)também o fazem bem, mas nada ofusca o brilhantismo de Javier, que rouba todas as cenas.
O filme é agil, às vezes rápido até demais, o que dificulta a leitura de legendas e torna quase impossível para quem não fala e entende bem espanhol acompanhar); é uma comédia, portanto não toca nestes assuntos discutidos acima de forma aprofundada, mas de forma despretensiosa e pode ser encarado como uma boa diversão para quem está a fim de ver um filme que trata de situações do cotidiano e da vida moderna, focando naquilo que é essencial em qualquer filme, as relações humanas.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Valentim (Valentín)

Sei que ando bem relapsa com este blog, mas falta-me tempo para fazer muitas coisas e, por incrível que pareça, assistir filmes. Porém, não podia deixar de comentar um dos poucos filmes que vi no último mês e que me chamou muito a atenção, pois fiquei apaixonada. Pelo filme. Pelo protagonista mais exatamente. Novamente, é um filme argentino - e os diretores argentinos estão cada vez mais subindo no meu conceito. Se chama Valentim, e conta a história do mesmo, uma criança de oito anos de idade que narra uma história comovente e excitante - a da sua vida.
Valentín (Rodrigo Noya) é um menino que tinha tudo para ser mais uma criança na multidão; filho de pais separados, foi abandonado pela mãe, ignorado pelo pai e vive na casa da avó, que com muita dificuldade o cria, sempre comparando-o (mal)ao pai. Apesar das comparações, Valentín não tem nada do seu pai; o que o destaca da multidão é a imaginação, a tenacidade, a esperteza e o tato social que tem - e que consegue derreter o coração de qualquer pessoa.
O filme se passa na década de sessenta e mais uma vez,no período de ditadura, que eu entendo que é um período de muito sofrimento e muito caro na memória dos argentinos. Apaixonado por viagens espaciais, Valentín narra a sua vontade de se tornar um astronauta, apesar do "pequeno problema" que tem (o estrabismo). Mas isso não é um problema. O problema é que ele vive sem aquilo que considera mais importante: uma mãe. Por isso, quando Valentín conhece a nova namorada de seu pai, Letícia (Julieta Cardinale), ele encontra a oportunidade de ter a mãe que tanto sonhara, e faz de tudo para conhecê-la melhor e ganhar sua simpatia (o que não é muito difícil, mas que, como criança, acaba gerando algumas confusões em casa).
A história de Valentín é uma história comovente e ao mesmo tempo alegre. Ele é uma espécie de pequeno herói, lutador, que mesmo com as dificuldades que encontra na vida, transforma tudo em mágica - nada o derruba. É uma criança de oito anos apenas, mas uma criança especial: não se sente derrotado, não se sente "coitado", muito menos infeliz. Muito inteligente e perspicaz com as coisas em sua volta, encontra em pequenas coisas do seu cotidiano sempre um impulso para seguir em frente.
Por onde passa, Valentín tem uma capacidade incrível de fazer amigos. Letícia se torna uma; outro amigo é o seu vizinho, um músico alcóolatra que o ensina piano, Rufo (Mex Urtizberea). Outra característica do menino é a sua inteligência emocional. Mesmo conhecendo a personalidade forte e explosiva de seu pai, a amargura de sua avó e o abandono de sua mãe, seu mundo não lhe permite ficar triste com isso. Para isso, Valentín criou um mundo bonito, de amizades, onde ele é o protagonista, e não o coadjuvante.
Dirigido por Alejandro Agresti, o filme conta com a fantástica Carmen Maura, no papel de sua avó, e do próprio Agresti como pai do menino. Conhecido na Argentina por diversos filmes, posso dizer apenas que vi um deles, Uma noite com Sabrina Love, com Cecilia Roth no papel principal, que achei muito interessante também (não me pergunte como conheço ou vi estes filmes, eu já tive um passado ligado ao submundo do cinema :D).Um filme que o tornou famoso foi A Casa do Lago, uma refilmagem de um filme coreano de realismo fantástico em Hollywood, com os queridinhos Sandra Bullock e Keanu Reeves.
Valentín é um filme de 2002, portanto, para quem quiser assisti-lo, é só passar em uma locadora mais próxima. Não sei porque me levou tanto tempo para assistir, mas fica a dica aqui. Fica aqui também a lição de Valentín sobre a vida: "a vida é assim, como um talharim".Algumas coisas dão certo, outras dão errado; a vida é assim mesmo. O que a gente pode fazer é tirar o melhor proveito das coisas negativas e também das positivas. Valentín consegue fazer isso com destreza e isso o torna uma das crianças mais adoráveis e perceptivas do mundo.